Catarata: sintomas, causas e como é feita a cirurgia
Entenda o que é a catarata, quais sinais merecem atenção, como é feito o diagnóstico e o que esperar da cirurgia de facoemulsificação com implante de lente intraocular.
A catarata é uma das causas mais comuns de perda de visão com o passar dos anos, e também uma das mais tratáveis. Neste artigo, você vai entender o que ela é, quais sinais merecem atenção, como é feito o diagnóstico e o que esperar da cirurgia, que é hoje o único tratamento eficaz.
O que é a catarata
Dentro do olho, logo atrás da íris (a parte colorida), existe uma lente natural chamada cristalino. Ela é transparente e ajuda a focar a imagem na retina. A catarata é a perda progressiva dessa transparência: o cristalino fica opaco, como uma janela embaçada, e a luz passa a chegar à retina de forma distorcida.
Na maioria das pessoas, a catarata se desenvolve devagar, ao longo de meses ou anos, e pode ser diferente em cada olho.
Principais sintomas
No início, muitas pessoas não percebem nada. Com a evolução, os sinais mais frequentes são:
- visão embaçada ou “nublada”, que não melhora com a troca dos óculos;
- sensibilidade maior à luz e ofuscamento, principalmente com faróis de carro à noite;
- cores que parecem desbotadas ou amareladas;
- dificuldade para ler ou enxergar em ambientes com pouca luz;
- mudanças frequentes no grau dos óculos;
- visão dupla em um só olho, em alguns casos.
Esses sintomas também podem aparecer em outras doenças dos olhos. Por isso, qualquer piora da visão deve ser avaliada por um oftalmologista.
Causas e fatores de risco
A causa mais comum é o envelhecimento natural do cristalino, e por isso a catarata é mais frequente a partir dos 60 anos. Alguns fatores podem antecipar ou acelerar o processo:
- diabetes;
- uso prolongado de medicamentos com corticoide;
- traumas ou cirurgias anteriores no olho;
- exposição prolongada ao sol sem proteção;
- tabagismo;
- histórico familiar.
Existe também a catarata congênita, presente desde o nascimento ou surgida na infância, que exige avaliação precoce para não prejudicar o desenvolvimento da visão da criança.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é feito no consultório, durante o exame oftalmológico completo. Com a lâmpada de fenda (um microscópio próprio para os olhos) e, em geral, com a pupila dilatada por colírio, o oftalmologista avalia o grau de opacidade do cristalino e examina também a retina e o nervo óptico.
Quando a cirurgia é indicada, alguns exames complementares ajudam no planejamento, como a biometria (que calcula o grau da lente que será implantada), a microscopia especular (que avalia as células da córnea) e a tomografia ou topografia da córnea.
Existe colírio ou remédio para catarata?
Não. Até hoje, nenhum colírio, vitamina ou medicamento comprovadamente reverte ou cura a catarata. Nas fases iniciais, a troca de óculos e uma iluminação melhor podem ajudar no dia a dia. Quando a visão passa a atrapalhar as atividades, o tratamento é cirúrgico.
Quando operar
Não é preciso esperar a catarata “amadurecer”, como se dizia antigamente. Em geral, a cirurgia é indicada quando a baixa de visão passa a interferir na rotina — ler, dirigir, trabalhar, reconhecer rostos, se locomover com segurança. A decisão é tomada em conjunto entre médico e paciente, considerando a saúde geral dos olhos e as necessidades de cada pessoa.
Como é a cirurgia de catarata
A técnica mais utilizada atualmente é a facoemulsificação, com implante de uma lente intraocular. De forma resumida, as etapas são:
- Anestesia: normalmente feita com colírio anestésico, associado a uma sedação leve. O paciente fica confortável e não sente dor durante o procedimento.
- Microincisão: o cirurgião faz uma pequena abertura na córnea, de poucos milímetros.
- Remoção do cristalino opaco: com uma sonda de ultrassom, o cristalino é fragmentado e aspirado.
- Implante da lente intraocular: uma lente artificial dobrável é colocada no lugar do cristalino e permanece no olho de forma definitiva.
A cirurgia é feita em regime ambulatorial, em centro cirúrgico, e o paciente vai para casa no mesmo dia, com acompanhante. Quando os dois olhos têm catarata, eles costumam ser operados em datas diferentes.
Tipos de lente intraocular
A escolha da lente é individual e depende do exame dos olhos, do estilo de vida e das expectativas de cada paciente. As principais opções são:
- Monofocal: oferece foco em uma distância principal (geralmente para longe); os óculos costumam ser necessários para perto.
- Tórica: corrige também o astigmatismo.
- Multifocal ou de foco estendido: buscam ampliar as distâncias de visão sem óculos. Não são indicadas para todos os olhos, e essa avaliação é feita em consulta.
Recuperação e cuidados depois da cirurgia
A recuperação costuma ser rápida, mas os cuidados das primeiras semanas são importantes:
- usar os colírios exatamente como prescritos;
- não coçar nem apertar o olho operado;
- usar o protetor ocular para dormir, pelo tempo orientado;
- evitar esforço físico intenso e água de piscina ou mar nos primeiros dias;
- comparecer a todos os retornos agendados.
Como toda cirurgia, a de catarata tem riscos, como inflamação, infecção e alterações de pressão do olho. Eles são pouco frequentes, e o acompanhamento pós-operatório existe justamente para identificá-los e tratá-los cedo. Sinais como dor forte, piora súbita da visão ou vermelhidão intensa devem ser comunicados ao médico imediatamente.
Perguntas frequentes
A catarata pode voltar depois da cirurgia?
Não. O cristalino opaco é removido e não se forma de novo. Em alguns pacientes, meses ou anos depois, a membrana que sustenta a lente intraocular pode ficar embaçada (a chamada opacificação da cápsula posterior). Ela é tratada com um laser rápido, feito no consultório.
Vou precisar de óculos depois da cirurgia?
Depende do tipo de lente escolhida e das características de cada olho. Com lentes monofocais, os óculos para perto costumam continuar necessários. Isso é discutido antes da cirurgia, durante o planejamento.
Quem tem diabetes pode operar a catarata?
Sim. O importante é que a glicemia esteja controlada e que a retina seja bem avaliada antes e depois do procedimento, porque o diabetes também pode afetar essa parte do olho.
Catarata é a mesma coisa que glaucoma?
Não. A catarata afeta o cristalino e tem tratamento cirúrgico. O glaucoma afeta o nervo óptico, geralmente sem sintomas no início, e exige acompanhamento contínuo. Uma doença não causa a outra, mas as duas podem existir ao mesmo tempo, por isso a consulta de rotina é tão importante.
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